segunda-feira, 4 de agosto de 2008

selecção olímpica do brasil no vietname

Os jogadores olímpicos brasileiros tiveram um amistoso com a selecção nacional do Vietname na sexta-feira passada. Vamos ver o que passou com os brasileiros no meu país! Deves saber que os vietnamitas são loucos por futebol e a selecção brasileira é uma das favoritas aqui. Mais uma coisa, a selecção vietnamita anda a ser liderada por um português, Henrique Calisto. Esta é a segunda vez que este senhor desempenha o cargo.

Fonte do texto: esportes.terra.com.br
Os vietnamitas deram mais uma demonstração, nesta terça-feira, do que representa a presença da Seleção Brasileira em Hanói. Todos os 45 mil ingressos do jogo entre o time olímpico verde-amarelo e a seleção local foram esgotados em cerca de meia hora. O amistoso - último do Brasil na preparação para os Jogos Olímpicos de Pequim - está marcado para esta sexta-feira, às 10h (de Brasília). O confronto será disputado no Estádio My Dinh (Nacional), na capital do Vietnã. Antes de esgotar os bilhetes, os vietnamitas já haviam mostrado sua empolgação na chegada da Seleção Brasileira. De acordo com a polícia, 2.500 fãs compareceram ao desembarque da delegação no Aeroporto de Hanói. A histeria causada pelos comandados de Dunga é destaque da edição de quarta-feira do Vietnam News. O diário relata o fracasso da polícia na tentativa de conter o ânimo do público no momento da chegada de Ronaldinho e cia.

Fonte do texto: ojogo.pt
A selecção olímpica do Brasil apanhou um susto no jogo de preparação frente à modesta selecção do Vietname, treinada pelo português Henrique Calisto. O amigável decorreu em Hanói, tendo o "escrete" vencido por 2-0, com golos de Alexandre Pato e Thiago Neves, mas os vietnamitas conseguiram jogar de igual para igual durante grande parte do tempo, atiraram um bola à trave e fizeram do guarda-redes brasileiro Renan o melhor em campo. Actualmente no 124º lugar do ranking da FIFA, o Vietname não passou sequer da fase preliminar das eliminatórias para o Mundial'2010. Mesmo assim, chegou a pôr o Brasil em respeito, Brasil que utilizou craques como Ronaldinho Gaúcho e os ex-portistas Anderson e Diego (os dois primeiros jogaram os 90 minutos). No final, Ronaldinho afirmou que os vietnamitas “jogaram bem” e que gostou da partida, salientando que “a intenção era fazer um golo logo de entrada e depois segurar a bola”. Dunga, seleccionador de quem se diz ter o lugar em perigo caso a "canarinha" falhe nos Jogos Olímpicos, mostrou-se irritado com os jogadores, que acabaram por justificar o mau desempenho com o muito calor que se fazia sentir, pois a partida foi disputada sob uma temperatura superior a 40 graus Celcius.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

12 animais do calendário lunar

Conta-se que: No muito início do mundo, era dada mais atenção ao humano.

Deus dava muitos previlégios ao humano e gostava de escolher mais alguns animais relativos à vida humana a fim de criar um horário a partir destes animais para que o humano pudesse ter uma noção de tempo.

Os Santos do céu fizeram uma procura a fundo e destacaram uns trinta ou quarenta animais mais típicos. Porém, Deus ainda pensava que estava longe da consciência do humano. O conselheiro de Deus convocou 12 animais representativos, que eram os mais próximos e amigáveis ao humano, e definiu uma hora para registar a ordem da chegada deles, criando assim o termo do “ciclo de 12 anos”.

Na noite da véspera, os 12 animais ficaram muito excitados e reuniram-se para encontrar uma maneira favorável a fim de todos chegarem ao céu.

No entanto, são diferentes a capacidade e características de cada um. Contando na sua beleza, força e competência, o Dragão nem queria pensar. O Macaco, como era esperto e capaz de imitar revolvendo a situação, pensava que conseguiria aproveitar a oportunidade para obter uma boa posição...

Somento o Bufalo trabalhador, sabendo que era lento, pretendeu levantar-se cedo para caminhar. Sendo vizinhos do Bufalo, o Gato e o Rato fingiramn falar com ele da viagem mas na verdade, procuraram encontrar uma maneira para serem os primeiros a chegar ao céu. Cansado por pensar, o Gato adormeceu e disse ao Rato para acordá-lo, assim poderiam caminhar juntos.

Por volta da uma de manhã, o Bufalo levantou-se para caminhar tranquilamente sem perceber que o Rato não só deixou de acordar o Gato, mas também ficou nas costas do Bufalo, assim foi carregado por ele. Ao chegar ao céu, muito depressa, o Rato saltou do Bufalo e anunciou o nome. Deus e os Santos ficaram surpresos pelo aparecimento de um animal pequeno, feio e até mesmo fedorento. Ficaria este animal no primeiro lugar do ciclo de 12 anos? Mas não havia como mudar a regra!!!

Ficou no segundou lugar, sem dúvida, o Bufalo.

Chegou no terceiro lugar o Tigre, o Rei dos animais. Contando na sua força, o Tigre saltou para o rio antes de raciocinar para encontrar uma melhor maneira para ultrapassá-lo.

O Gato, certamente chegou atrasado por ter adormecido. Até agora, o Gato ainda detesta muito o Rato por não o acordar.

O vaidoso Dragão conseguia voar e até desprezava a corrida, mas acabou por ser o quinto. Este atraso foi explicado por causa da bondade do Dragão. Parou no meio do caminho criando chuva para salvar as criaturas na terra.

Podia ser conderado mais esperto e pérfio do que o Rato, a Cobra ganhou o sexto lugar por se ter escondido na perna do Cavalo.

O Cavalo, apesar de ser muito veloz, obteve apenas o sétimo lugar por ficar assustado ao ver a Cobra escondida na perna.

O Bode mostrou os seus pontos fortes neste corrida que eram a força e a resistência e ganhou a oitava posição.

O ágil Macaco era considerado um filósofo visto que não havia nada que não conseguisse resolver. Mas, sendo subjectivo com a sua competência, só chegou no nono lugar.

Mesmo sendo o mais fraco do trio Bode – Galo – Macaco, o Galo aproveitou muito bem e ficou o centro da atenção e ficou na décima posição.

O Cão, famoso pela fieldade, ficou somente no décimo primeiro lugar. Embora fosse um dos melhores nadadores dos 12 animais, o Cão quase foi o último por ser meticuloso e limpo demais.

O Porco foi o último animais do ciclo e faltou pouco para ficar fora por Deus estar a fechar o portão. Chegou atrasado por ter comido e adormecido no caminho todo.

São diferentes 3 animais entre o calendário lunar vietnamita e o chinês: Bufalo -> Vaca, Gato -> Coelho, Bode -> Ovelha.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

uma visão brasileira sobre hanói e o vietname

Este é um vídeo retirado do site globo.com, um site de notícias brasileiro. Uma visão dos brasileiros sobre Hanói e o Vietname!

As ruas de Hanói, capital do Vietnã, estão sempre tomadas por motocicletas. A cena é tão característica que é hoje, sem dúvida, uma das imagens que melhor definem o Vietnã.
Fonte do vídeo: g1.com.br

segunda-feira, 7 de julho de 2008

músicas favoritas minhas

São 3 das músicas vietnamitas de que gosto. Por coincidência, falam sobre sofrimento de amor. Ahhhh, mas não penses que eu esteja a sofrer! Simplesmente, as músicas têm ritmos muito bonitos e letras bem poéticas. Aliás, só a musica Uma tarde sozinha foi traduzida anteontem, as duas outras tinham sido traduzidas há muito tempo. Portanto, espero que aprecies!

A palavra que nao se disse -

A palavra que não se disse

Ficando contigo, queria tanto estar contigo para sempre

Já acreditava que te amava

Mas quanto estávamos juntos, não sentia uma tímidez

E quando estava longe de ti, não sentia uma falta

Será por depressa que perdiste o coração

Como uma nuvem vagando, desejava perguntar-te

Tendo estado juntos por anos, porque nos separámos

O olhar que te queria dar, já não posso

O beijo apaixonante nos meus lábios ainda está quente

Tenho de me esquecer, o passado tolinho, um amor tontinho

Foram-se com ele

Já estás longe, meu amor

Como não sabia que estava eu contigo só para te ajudar

Nunca tendo o amor verdadeiro

Acumula-se a amargura

O amor foi-se

Ardendo o coração com o fogo desejoso

Deixando a solidão por palavras geladas

Mesmo que sejam apenas um desejo e uma esperança

Sei que tenho um sonho

Para sempre....

Tu e eu -

Tu e eu

Tu e eu, uma noite de lua, uma tarde anoitecendo

Tu – Vénus de madrugada

E eu – Vénus à noite

Tu e eu – saudades de distância e mimos de perto

Tu e eu – melodias felizes, ritmos tristes...

Canta, revela o teu coração

Ficaremos mais próximos pela música

Oiço uma voz parecida a uma brisa

Vejo uma lágrima parecida a um riacho cristalino

Será que estás a pensar em mim?

Como o teu coração está a dormir no meu

Separarmos não é para nos esquecermos

Mas sim deixar o coração mergulhar nas saudades

Tu e eu, uma felicidade recém-chegada, uma tristeza de longe

Tu – cheia de felicidades

E eu – cheio de saudades

Tu e eu – uma flor brilhante, um ramo seco sem folha

Tu e eu – cada tem só uma metade de vida

Canta, revela o teu coração

Ficaremos mais próximos pela música

Oiço uma voz parecida a uma brisa

Vejo uma lágrima parecida a um riacho cristalino

Será que estás a pensar em mim?

Como o teu coração está a dormir no meu

Separarmos não é para nos esquecermos

Mas sim deixar o coração mergulhar nas saudades

uma tarde sozinha -

Uma tarde sozinha

Tanto sol hoje à tarde

Estou sozinha nesta rua deserta

Lá ali a onda e o mar estão a sussurrar

Que estou com tantas saudades tuas

Ouvindo as minha palavras

As casuarinas na areia começam a cantar

E o céu também levanta a voz

Juntamente com a rua falam de amor

Sei que as nuvens voam para longe

Sei que tu estás longe

Ainda me apaixono por ti

Ainda te amo imenso

Ainda estou à tua espera

E ainda vejo esta rua à praia lindíssima

Sei que as nuvens nunca regressam

Sei que não és do jeito que dizes

Ainda me apaixono por ti

Ainda te amo imenso

Ainda estou à tua espera

Mesmo que hoje não aqui estejas

Como hoje o vento não consegue falar

As folhas começam a cantar

E o céu também levanta a voz

Juntamente com a rua falam de amor

O vento levam as nuvens para longe

Lá no mar aberto as ondas brincam

O mar brilha à tarde

O vento continua a soprar

A nuvem nervosa continua a flutuar

Deixando-me sozinha nesta rua à praia

Sei que as nuvens voam para longe

Sei que tu estás longe

Ainda me apaixono por ti

Ainda te amo imenso

Ainda estou à tua espera

E ainda vejo esta rua à praia lindíssima

Sei que as nuvens nunca regressam

Sei que não és do jeito que dizes

Ainda me apaixono por ti

Ainda te amo imenso

Ainda estou à tua espera

Mesmo que hoje não aqui estejas...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

traje tradicional: música e fotos

Agora convido-te para ouvir a música mais popular sobre Áo dài no Vietname. Não consigo transferir todas as belezas da letra devido à má tradução. Mas espero que pelo menos sintas a nossa simpatia pelo traje tradicional. Ponho aqui também as fotos da competição Miss World 2008 que está a ter lugar no Vietname, na marcha nocturna em que as nossas belas estão em Áo dài.
OBS: Se te aparecer um fundo preto com uma flecha grande durante o slide, é só fechá-lo (no X no topo à direita do slide) e continuar a contemplar as fotos.
Fontes das imagens: DanTri.com uma inspiracao da patria -

Áo dài… voa voa voa voa graciosamente no vento
Áo dài... voa voa voa voa ternamente na rua
Como uma nuvem...desce flutuando na terra ...
Como um pombo.... desliza no pátio escolar...
Tão maravilhoso, o vestido que a pátria nos oferece
Onde quer que esteja... Paris, Londres ou terras estranhas
Distingue-se voando na rua
Assim se vê a alma da nossa pátria...
Voando... voando, como uma luz do sol alegra o dia
Voando... voando, como uma nuvem branca flutua no vento
Voando... voando, enroxa o pôr-do-sol
Voando... voando, enverdece as relvas
Os teus passos excitam o caminho de volta
Voa...o vestido familiar, como um passarinho a saudar o vento
Oiço... do teu coração, uma música cheia de amor
Amanhã... vá aonde vieres, a pátria está no teu coração.

traje tradicional

Áo dài é o traje tradicional do Vietname para ambos os dois sexos, cobrindo o corpo do pescoço aos joelhos ou a mais. Áo dài geralmente é utilizado nos festividades importantes ou pelas estudantes. Aqui vou falar sobre Áo dài feminino.

A história de Áo dài
Precursor
Não se sabe como formou Áo dài primitivo nem como era no primeiro devido à inexistência de bibliografias. O vestido feminino mais antigo vietnamita, conforme as imagens esculpidas nos tambores de cobre dos vietnamitas de há mais de milhares de anos atrás, tem duas abas separadas. Antes da época da Dominação Chinesa, os vietnamitas tinham os botões à esquerda. Mais tarde, mudaram para a direita como os chineses. A forma inicial de Áo dài tinha 4 abas com 2 abas dianteiras cruzadas sem fazer um nó. O Rei Nguyen Phuc Khoat é considerado ter fixado a forma de Áo dài. Sob a influência intensa da cultura chinesa, até o século XVIII, o vestuário no Vietname ainda reflectia o dos chineses, especialmente quando imigraram milhares de gente do Norte que se rebelavam contra a dinastia Qing. Nesta situação, para conservar o carácter cultural, o Rei Nguyen Phuc Khoat mandou: “O vestido casual de ambos sexos tem de ter colarinho alto, mangas curtas largas ou estreitas. Tem de ser fechada completamente com cosedura a partir de sovacos...”. Conforme esta bibliografia, Áo dài de modelo fixo foi formado e reconhecido como vestido nacional na dinastia do Rei Nguyen Phuc Khoat (1739-1765).
<--------------Os líderes estrangeiros também adoram Áo dài! (APEC 2006 no Vietname)
Áo dài Le Mur

Le Mur é a tradução em francês de Cat Tuong, o nome de um pintor nos anos 1930, quem fez uma renovação importante no Áo dài com 4 abas, tornando-o um vestido com apenas abas dianteira e traseira. A aba dianteira foi estendida aumentando assim a flexibilidade conforme os passos, ao mesmo tempo, a parte superior do vestido fica colada ao corpo mostrando as curvas aumentando assim o charme feminino. Para enfatizar ainda mais a feminidade, a linha dos botões na frente foi mudada para o ombro e mais tarde, ficou uma linha numa silhueta. Todavia, Áo dài Le Mur também tinha algumas mudanças “excessivas” que eram criticadas por um bom número de pessoas.

Áo dài Le Pho

Em 1934, outro pintor chamado Le Pho retirou as características duras e “mescladas” de Áo dài Le Mur e adicionou a Áo dài elementos tradicionais formando um tipo antigo, colado ao corpo com as duas abas soltas. Foi uma harmonia extremamente perfeita e elogiada por todas as senhoras. Desde aí, a forma padronizada de Áo dài foi fixada e apesar de muitas modificações, mantêm-se as características básicas.

Áo dài com raglã

Nos anos 1960, uma casa de moda em Saigão introduziu um Áo dài com raglã resolvendo a maior dificuldade na feitura de Áo dài: as pregas no sovaco. Com esta modificação, os botões vão de pescoço, passam pelo sovaco e percorrem a silhueta. O vestido assim fica mais colado às curvas do corpo, acrescentando o encanto.
Áo dài branco é utilizado como uniforme por estudantes femininas. Anjinhos, não achas? --------------------------------------------->
Um símbolo do Vietname
Diferente de quimono do Japão ou hanbok da Coreia, Áo dài de Vietname tem ao mesmo tempo tradicionalidade e modernidade. Especialmente Áo dài feminino pode ser utilizado em todos os casos: no trabalho, na escola, em casa ou quando se sai. Os acessórios também são simples: umas calças de seda, sapatos, sandálias ou tamancos... Nos casos mais formais (tal como casamento), é acompanhado de um jaleco e uma touca tradicional, ou até um diadema! Este é uma característica muito original deste vestido. Áo dài aparentemente tem jeito de acentuar a beleza de todos os corpos. A parte superior fica colada ao corpo mas as duas abas estão elegantemente soltas sobre as calças largas. As abas são separadas desde a cintura libertando os movimentos mas ao mesmo tempo salientando a graciosidade e feminidade. É fechado por cobrir o corpo todo mas é também sensual por mostrar a silhueta.

sábado, 28 de junho de 2008

A irmã mais velha

Este é um conto vietnamita que traduzi para o livro 7 histórias de mulheres, publicado em 2007 pelo IPOR (Instituto Português do Oriente), Macau, na ocasião do Dia Internacional de Mulheres. A história fala de um assunto que existe há muito tempo no Vietname mas ainda é muito discutido. Gosto da maneira que o escritor resolveu o problema, que mostrou a simpatia dele pelas mulheres e uma visão nova e humana.
Autor: Bui Huy Vong
Tradutora: Agulhinha Ferrogenta
Um menino, um menino, Phuong, minha irmã!!!
Ouvindo a sua mulher gritar na sala de maternidade do hospital, Tuong, que aguardava no corredor, ficou descansado e feliz. Finalmente, Phuong, a sua irmã, tivera um filho. Depois de muitas discussões sobre os preconceitos da sociedade e a reputação das mulheres grávidas sem marido, o sonho de Phuong tinha-se realizado.
Embora fossem irmãos dos mesmos pais - comessem à mesma mesa - por mais que se amassem os irmãos, que cuidassem uns dos outros, cada um teria que ter a sua própria casa e a sua família. Nada se podia comparar ao amor do marido, da mulher ou dos filhos.
Phuong era a mais velha, e segundo a tradição da nação Kinh, nada se comparava à primeira filha. Os pais ficaram muito contentes, a filha logo os ajudaria. Toda a aldeia reconhecia isso. Os rapazes só gostavam de brincar, não ajudavam em nada os pais.
E, mais uma vez, a tradição se cumpriu. Aos sete anos, Phuong já sabia preparar as refeições. Aos dez, já tratava dos porcos e trabalhava no campo.
Tuong tinha quase dez anos menos do que Phuong. A irmã ia às aulas de manhã e cuidava do irmão à tarde. Os pais podiam trabalhar no campo sem preocupação.
A situação da família melhorou, e, dois anos depois, a mãe ficou grávida.
Um dia, o pai de Phuong foi ao monte cortar madeira para fazer uma nova casa.
Tuong ainda se lembrava daquele pôr-do-sol destinado. No horizonte, a Oeste, o sol estava vermelho como uma brasa, tingindo as nuvens da cor do fogo. O pai foi levado para casa num edredão avermelhado pelo sangue. Uma árvore tinha-lhe caído em cima quando estava a cortá-la.
Durante o funeral, a mãe de Tuong, ainda grávida, chorou até desmaiar. Tuong, no entanto, sentiu mais estranheza do que dor. Não conseguiu compreender a perda do pai. Muitos anos depois, ainda se sentia muito tolinho ao lembrar aquele momento. Phuong abraçou o caixão chorando até os olhos ficarem muitos inchados.
Meses depois, a mãe deu à luz, em casa, com a ajudar das parteiras. Mas, menos de uma hora depois de o bebé nascer, teve uma hemorragia muito intensa. Apesar de ter sido conduzida ao hospital, perdeu tanto sangue que morreu no caminho, deixando os as três crianças órfãs. Phuong tornou-se o ganha-pão da família, a irmã e também a mãe dos dois irmãozintos. Naquele ano, tinha quase 14 anos.
Teve que deixar a escola. Todos os dias, quando o irmão chorava, levava-o às mulheres da aldeia, em fase de aleitamento, para lhe darem de mamar. Mais tarde, fazia-lhe sopinha. Com pena dos órfãos, ninguém lhes recusava o leite. Felizmente, o irmão parecia que compreendia a sua situação e raramente ficava doente.
Naquela altura, a comunidade da aldeia Muong vivia a experiência cooperativa. Aos irmãos de Phuong era fornecido arroz, mas, como era pouco, nunca chegava para os três órfãos. Os parentes queriam ajudá-los mas também eram pobres. E Phuong ainda não tinha idade para trabalhar. Na época das colheitas, deixava os irmãos nos vizinhos e ia para os ,onde o arroz ou o milho já tinham sido recolhidos, para apanhar os grãos ou os bagos caídos. Depois, deixava Tuong cuidar do irmão mais pequeno e ia ao rio apanhar peixes e caranguejos para vender. Assim, iam crescendo os três.
A juventude de Phuong foi passada a trabalhar arduamente para cuidar dos dois irmãos. Fazia todos os trabalhos para o ganha-pão da família. Desde trabalhar no campo até tratar de uma casa, fazia de tudo. Embora não fosse muito bonita, também não era feia. Era alta, tinha uma cara correcta e, em geral, era simpática. Surgiram alguns pretendentes que queriam casar com ela. Dizia-lhes que aceitaria se, vivendo com ela, a ajudassem a cuidar dos irmãos.
A noção de responsabilidade falava mais alto do que a preocupação de agradar. Nestas condições, os homens, como já não queriam viver em casa da mulher, afastavam-se dela em silêncio.
Durante muitas noites, Phuong não conseguia dormir, deixando as lágrimas molhar a almofada. Não queria perseguir a sua própria felicidade, o que obrigaria os irmãos a deixarem a escola. Várias vezes, os dois irmãos, Tuong e Luong, manifestaram vontade de deixar a escola para trabalhar de forma que a irmã se pudesse casar. Mas ela não aceitava e obrigava-os a estudar. Ficava em casa, trabalhava no campo e poupava para pagar as despesas deles.
O tempo passava muito depressa, quando Luong acabou a escola secundária, ela já tinha 30 anos. Com aquela idade já era muito difícil, naquela aldeia, uma mulher casar.
Tuong acabou os estudos, encontrou um bom emprego na província e casou-se. Com o seu apoio, o estudo de Luong ficou mais fácil.
Quando Tuong teve a primeira filha, a casa ainda ficou mais feliz. Mas Tuong não sabia que a alegria de uma pessoa podia ser a tristeza de uma outra. Muitas vezes, cruzava com o olhar triste de Phuong, especialmente quando o casal brincava com a filha. Vendo a irmã assim, Tuong também ficava infeliz e queria fazer algo para ajudá-la. Pensava, pensava muito, mas não encontrava nenhuma ideia. A mulher de Tuong, que também era de uma família pobre, tinha muita simpatia pela cunhada. Um dia, a propósito de um jantar de comemoração, Phuong dormiu em casa da família da mãe. Tuong e a mulher ficaram sozinhos em casa e puderam falar à vontade. A mulher perguntou com compaixão:
- Olha, ultimamente, tenho visto a minha cunhada a chorar sozinha, especialmente quando está sozinha com a nossa filha Huong…
Tuong entristeceu:
- Pois, toda a juventude dela foi dedicada a mim e ao Luong. Não conseguiu casar. Se tivesse um filho, seria óptimo para não se sentir sozinha – De repente Tuong bateu na testa – Nunca tinha pensado nisso! Vamos fazer um pedido de adopção para ela…
A mulher ficou silenciosa, depois suspirou e disse ao marido:
-Um filho adoptado não se pode comparar com um filho próprio. Ela ainda não é velha…
Durante toda a noite, o casal falou sobre o filho de Phuong…
Na noite seguinte, quando Huong já tinha ido dormir, o casal falou com Phuong. Phuong ficou como se estivesse sentada em cima de brasas choramingando: “Assim, toda a gente vai troçar de mim. É muito doloroso, muito desonroso…” O casal tentou apoiá-la: “Deixa lá, não podem troçar para sempre. Somos os teus irmãos, basta que te compreendamos. Toda a aldeia sabe que tens tido tantas dificuldades, que sacrificaste a tua felicidade por nós. Tu és serena e honesta, não como as raparigas imorais.” Falaram, falaram mas Phuong não mudou de ideias. Disse que o seu futuro eram os irmãos e os sobrinhos. Luong, que estava na faculdade ficou a saber a proposta sugerida por Tuong e pela mulher e enviou uma carta ameaçando que, se ela não aceitasse, deixaria a escola.
A novidade de Phuong estar grávida espalhou-se por toda a aldeia. Ficou magra, o cabelo duro, a barriga cada vez maior. De tão envergonhada, nem ousava sair. A sua cunhada não a deixava fazer nada e apoiava-a sempre: “A gravidez é muito importante para as mulheres, não te preocupes, fica tranquila”.
Deixando de criticá-la, as pessoas começavam a apoiá-la. As velhas vinham a casa aconselhá-la a cuidar de si. Uma mulher com mais de 30 anos a dar à luz pela primeira vez tinha de ter muito cuidado. Pouco a pouco, Phuong foi-se habituando e resignando. A vida nem sempre era confortável.
Tuong foi arrancado da corrente dos seus pensamentos quando a mulher o chamou:
- Olha, traz-me a fralda do cesto…
Um vento ligeiro fez Tuong acordar. E, voltando a casa para buscar mais algumas coisas para a grávida, Tuong sorriu ao ver o bambu velho em frente da casa a oscilar ao vento. Ao lado do tronco estava um bambu novo, crescendo.